A nova aliança política entre o senador Flávio Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas e o ex-ministro Ricardo Salles preocupa o grupo do prefeito Ricardo Nunes. Aliados de Nunes temem que Salles use a relação para disputar cargos de poder em 2028 ou 2030, ameaçando os planos de sucessão do prefeito na capital e no estado.
A aproximação entre o grupo do senador Flávio Bolsonaro (PL), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) está gerando desconforto também no círculo do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). O movimento ocorre de forma similar ao que aconteceu anteriormente com Pablo Marçal, criando um novo ponto de tensão política na capital paulista. Aliados de Nunes avaliam a retomada da relação com cautela, percebendo no cenário uma possível disputa futura por espaço político no Estado.
Segundo pessoas próximas a Nunes, o principal receio é que Salles utilize essa aproximação para buscar cargos de maior relevância nas próximas eleições. As possibilidades discutidas incluem uma candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2028 ou ao governo do estado em 2030.
- Conflito direto: Salles e Nunes já foram adversários em 2024, quando o ex-ministro criticou duramente a gestão municipal.
- Apoio do PL: O partido de Bolsonaro apoiou Nunes após articulação de Tarcísio, frustrando planos anteriores de Salles à Prefeitura.
- Plano de sucessão: Nunes trabalha com Sidney Cruz, do MDB, como favorito para assumir a Prefeitura em 2028.
- Aliança longa: Tarcísio e Nunes têm um acordo tácito para que o prefeito dispute o governo do estado em 2030.
- Risco de rompimento: Salles já questionou a lealdade de Tarcísio, o que impede negociações de cargos imediatos.
Tensões na sucessão da Prefeitura de São Paulo
O cenário preocupa o grupo de Nunes porque o prefeito já trabalha com outros planos para a sucessão na capital. Embora diferentes nomes estejam sendo considerados, Sidney Cruz (MDB), vereador que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados, tem ganhado espaço nas conversas internas e aparece atualmente como o favorito do grupo para a disputa de 2028.
Plano de longo prazo pelo governo do estado
Ao mesmo tempo, Nunes e Tarcísio de Freitas trabalham em uma articulação de longo prazo pela sucessão no governo paulista. Nos bastidores, os dois formaram uma aliança estratégica para que o atual prefeito de São Paulo seja candidato ao Palácio dos Bandeirantes em 2030, garantindo a continuidade da força política da direita no estado.
Origem do atrito com Ricardo Salles
A resistência a Salles tem origem em conflitos anteriores. Antes da eleição municipal de 2024, o ex-ministro e Nunes já eram adversários políticos declarados. Salles fez críticas à administração municipal e chegou a afirmar publicamente que havia "ladrões" na gestão da cidade, o que gerou fortes embates.
Salles chegou a cogitar uma candidatura à Prefeitura, mas desistiu depois de não conseguir o apoio da cúpula do PL. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu apoiar Nunes após uma articulação conduzida pelo próprio Tarcísio, fechando as portas para Salles naquele pleito.
Desgaste com o governador Tarcísio
Os atritos de Salles também já atingiram o governador Tarcísio. O ex-ministro questionou publicamente a lealdade de Tarcísio a Jair Bolsonaro e chegou a afirmar que o governador não representava os valores da direita. Por essa razão, muitos afirmam que Tarcísio não negociou cargos com Salles ao convencê-lo a desistir da candidatura ao Senado por São Paulo.
Agora, com a retomada da relação entre Salles e o grupo de Flávio e Tarcísio, aliados de Nunes acompanham o movimento com atenção. A preocupação, segundo interlocutores, não está apenas na eleição presidencial, mas também no espaço que cada grupo pretende ocupar nas próximas disputas em São Paulo, onde o equilíbrio de forças pode mudar drasticamente.


Ricardo Salles, deputado federal pelo Novo-SP, em sessão da Câmara / Divulgação / Câmara dos Deputados



