Em meio à crise institucional no Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes e outros líderes entraram pelo acesso da imprensa, enquanto os demais usaram entrada sigilosa subterrânea. O presidente da Corte chama a situação de gravíssima e promete respostas nos próximos dias, após investigação revelar menções frequentes ao nome de Moraes.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes chegaram nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, pela porta principal do Supremo Tribunal Federal. Esse é o local onde a imprensa acompanha a Corte e onde há maior exposição pública.
De forma contrastante, os outros ministros optaram por um acesso diferente. Eles entraram pelo subsolo das dependências da Corte. Essa movimentação ocorre enquanto a Casa enfrenta sua crise interna mais acentuada em anos, marcada por desconfianças e disputas de poder.
- A tensão no STF cresce após investigações judiciais citarem o ministro Alexandre de Moraes 36 vezes em relatórios oficiais da Polícia Federal.
- O presidente da Corte, Edson Fachin, classificou publicamente o momento vivido pelo Supremo como um período de especial gravidade institucional.
- O encontro entre Moraes e Andre Mendonça foi o ponto focal da agenda do dia, visto que este último relata os documentos judiciais ligados ao Banco Master.
- A entrada diferenciada dos ministros, com parte do grupo em rota subterrânea, sinaliza forte divisão interna entre as alas da Corte.
- A Procuradoria-Geral da República reagiu pedindo a nulidade de novas investigações que aprofundam a crise em torno do ministro Alexandre de Moraes.
Encontro entre Moraes e Mendonça é o ponto central da crise no STF
Todo o clima de tensão no prédio do Supremo girava em torno de um encontro previsto entre Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça. Mendes coordena os inquéritos ligados ao caso Banco Master. A investigação revelou que o nome de Moraes aparece 36 vezes nos principais documentos e mensagens da Polícia Federal.
Relatório da PF e o desgaste institucional na alta Corte
Na terça-feira, 1 de setembro, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório detalhado da Polícia Federal. O documento reuniu mensagens extraídas do aparelho de Daniel Vorcaro, um dos principais personagens do escândalo do Banco Master. O material inclui informações que citam diretamente o ministro Alexandre de Moraes.
A decisão de Mendes de tornar público o conteúdo aprofundou o desgaste institucional dentro da Corte. A Procuradoria-Geral da República reagiu imediatamente, solicitando que o aprofundamento da apuração fosse declarado nulo, apontando falhas legais no processo de investigação e divulgação.
Presidente do STF anuncia medidas de reparação institucional
Diante da escalada do caso, o presidente do Supremo, Edson Fachin, quebrou o silêncio institucional e comentou o episódio publicamente na quarta-feira. O gestor da Corte afirmou que a jurisdição vive um momento de especial gravidade, demonstrando a gravidade da crise na mais alta Corte do país.
Fachin anunciou que, nos próximos dias, o Supremo adotará medidas institucionais para tentar resolver o impasse. Essas ações pretendem restabelecer a ordem institucional e garantir o cumprimento das leis, mesmo com um grupo de ministros tendo chegado pela entrada alternativa subterrânea, sinalizando uma profunda cisão interna.


Gustavo Moreno / STF




