15 de setembro de 2026

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Casal é morto a tiros em trailer de lanches em Fortaleza: veja como foi o crime

Polícia Homicidio 01/09/2026 10:45 Redação, Diário do Nordeste diariodonordeste.verdesmares.com.br

A polícia reconstituiu o trajeto feito por criminosos em duas motos até o trailer onde um casal de comerciantes trabalhava na noite da última sexta-feira. O ataque, premeditado, resultou na morte de Wallace Goes de Oliveira e Roseany Lima de Oliveira. O principal suspeito, preso com drogas e armas, teria recebido R$ 5 mil para participar do crime, possivelmente por o casal ter se recusado a pagar pedágio à facção Comando Vermelho.

Os primeiros desdobramentos da investigação sobre o duplo homicídio que vitimou um casal de comerciantes em Fortaleza indicam que o ataque se tratou de um crime premeditado. A Polícia Civil do Ceará (PCCE) analisou imagens de câmeras de segurança e reconstituiu a rota percorrida pelos criminosos.

As imagens mostram o trajeto feito pelos homicidas na noite dos assassinatos de Wallace Goes de Oliveira e Roseany Lima de Oliveira e foram cruciais para que os investigadores localizassem e prendessem o primeiro suspeito pelas mortes.

  • O ataque ocorreu na última sexta-feira (28), por volta das 22h07, em um trailer de lanches na Avenida Contorno Leste, no bairro Mondubim, em Fortaleza.
  • Os criminosos partiram de uma casa na Rua 25 de Maio, no bairro Aracapó, e chegaram ao local em duas motocicletas em apenas cinco minutos.
  • O suspeito preso, Victor Rodrigues, teria recebido R$ 5 mil para participar do crime e foi autuado por homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma e receptação.
  • Na casa do suspeito, foram encontrados quase 8 kg de cocaína, 7,5 kg de crack, 1 kg de maconha, um revólver com numeração raspada e uma camisa azul com listras semelhante à vestimenta de um dos criminosos nas imagens.
  • A principal linha de investigação aponta que o casal teria se recusado a pagar pedágio à facção criminosa Comando Vermelho, o que teria motivado a execução.

A cronologia do crime

Antes de chegar ao trailer onde as vítimas trabalhavam vendendo lanches, os homicidas partiram de uma casa localizada na Rua 25 de Maio, no bairro Aracapó. Cinco minutos após trafegarem em duas motocicletas, chegaram à cena do crime pela Avenida Contorno Leste, às 22h07. Segundos depois, o ataque aconteceu.

Às 22h08, outras câmeras flagraram os mesmos homens trafegando em direção à Avenida Contorno Sul, já em rota de fuga. Às 22h12, dois homens retornaram para a mesma casa de onde o trio partiu. Eles desembarcaram do veículo, abriram o portão e entraram no imóvel.

A prisão do suspeito

Em posse das imagens, os policiais solicitaram ordem de busca e apreensão no imóvel, deferida pelo Judiciário. No local foram encontrados Victor Rodrigues e a esposa dele. Victor revelou aos agentes que tinha um revólver guardado em uma gaveta do guarda-roupa. Na casa também foram encontradas drogas, dentre elas cocaína, maconha e crack, além de uma camisa azul de manga longa, com listras.

A roupa tem características semelhantes à vestimenta usada por um dos homens visto nas imagens relacionadas ao homicídio.

Nessa segunda-feira (31), o suspeito teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

R$ 5 mil para participar do crime

Victor disse à Polícia que recebeu R$ 5 mil para dirigir uma motocicleta usada no crime. Segundo a Polícia Civil do Ceará, o homem seria o autor dos disparos que vitimaram o casal.

A prisão teve apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e do Departamento de Inteligência Policial (DIP) da PCCE.

Conforme documentos obtidos pela reportagem, o preso admitiu ter estado na cena do crime, mas disse que somente dirigiu uma motocicleta e que o garupeiro efetuou os disparos. Ele disse que foi abordado na mesma noite do crime, na última sexta-feira (28), com a proposta criminosa.

Além da moto usada e um revólver com numeração raspada, com Victor foram encontrados quase oito quilos de cocaína, 7,5 kg de crack e um quilo de maconha, embalados para comercialização.

Embora Victor tenha atribuído a execução dos disparos exclusivamente ao indivíduo que o acompanhava, as imagens, informações no local, depoimentos testemunhais, a vestimenta encontrada em sua residência e os demais elementos já colhidos constituem circunstâncias que demandam investigação acerca de sua efetiva função na empreitada criminosa, não sendo possível, neste momento, acolher como verdadeira, de forma isolada, a versão exculpatoria apresentada pelo conduzido, segundo a Polícia Civil.

O grito da testemunha

Em depoimento aos investigadores, uma testemunha disse ter ouvido os tiros, pois estava em uma casa próxima ao trailer. Ela contou que o dono de um food truck vizinho gritou "não mata o cara não".

A pessoa disse aos policiais que desconhecia dívidas de agiotagem ou ameaças contra o casal morto a tiros.

Outra testemunha disse também ter ouvido os disparos de arma de fogo e viu a pessoa de blusa azul subindo na garupa após a ocorrência, além de também ter ouvido a narração do dono de um trailer vizinho.

Suposto pedágio de facção

Victor foi autuado em flagrante por homicídio, tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e receptação. Ele já possuía antecedentes por roubo, corrupção de menores, posse irregular de arma de fogo de uso permitido, tráfico ilícito de drogas, integrar organização criminosa e lesão corporal.

Ele apresentou versões contraditórias sobre a suposta motivação dos assassinatos e demonstrou receio de represálias de outros envolvidos.

Victor chegou a dizer, entretanto, que "ficou sabendo" que o crime podia estar relacionado à cobrança de "caixinha" de facção criminosa, briga com clientes ou agiotagem.

Essas são as linhas de investigação com as quais a Polícia trabalha.

De acordo com testemunhas ouvidas pela Polícia Militar no local do crime, o casal de comerciantes teria se negado a pagar pedágio à facção criminosa Comando Vermelho. A informação consta no relatório policial.

Testemunhas ouvidas pela Polícia disseram ainda que, apesar das ameaças, o casal, por não concordar em pagar a taxa exigida, decidiu abrir o trailer e manter o funcionamento normal, ocasião em que teria ocorrido o ataque.