15 de setembro de 2026

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Jovem é espancado na UFRJ por usar camiseta com caveira e se defende: 'Não sou nazista, sou estudante de história'

Polícia Agressão 30/08/2026 16:15 Jovem Pan jovempan.com.br

Estudante de História da UFRJ foi agredido por colegas por usar camiseta com caveira e broche com suástica. Ele afirma que os símbolos eram de uma banda punk e de um pino com 'proibido' na suástica, e diz que é de esquerda e apenas estuda o nazismo de forma acadêmica. O caso é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Um estudante do curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi agredido por outros alunos na noite de terça-feira, 25, após chegar a um dos campi da universidade usando uma camiseta e acessórios com símbolos ligados ao nazismo. O jovem, que se chama Diego Costa da Silva Araújo, deu uma entrevista na qual negou ser nazista e disse que não cometeu nenhum crime. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Em conversa com o jornalista Pedro Doria, do canal Meio, no YouTube, Diego foi categórico: 'Minha mente está pacífica. Eu não cometi nenhum crime. Nada do que me acusam é real.' Ao ser perguntado sobre sua posição política, ele afirmou ser de esquerda, especificamente de vertente marxista.

  • Diego é estudante de História e diz ser estudioso do nazismo apenas do ponto de vista acadêmico, não ideológico.
  • A camiseta usada por ele pertence a uma banda punk chamada Death in June e a caveira, segundo ele, é de um crânio neandertal, diferente da usada pela SS nazista.
  • Ele usava um pin com uma suástica cercada pelo símbolo de proibido, afirmando que a peça expressava sua rejeição ao nazismo.
  • O espancamento ocorreu no Centro do Rio, nos institutos de Filosofia e Ciências Sociais e de História, com socos, tapas e chutes.
  • A UFRJ abriu uma comissão de sindicância e repudiou toda e qualquer apologia ao nazismo, ao racismo e à violência no ambiente universitário.

Diego explicou seu interesse pelo tema: ele se dedica a estudar a iconografia e a simbologia do regime nazista, que, segundo ele, foram apropriadas por diversas culturas ao longo da história. Ele também trata o fascismo como um fenômeno social, não como uma ideologia fixa e imutável.

'Entendo que o fascismo é uma coisa camaleônica. É até difícil apontar exatamente o que é fascismo, porque ele bebe de diversas fontes que são contraditórias entre si', declarou o estudante, que se descreveu como 'acadêmico do assunto'.

Na sequência, Diego foi enfático: 'Eu não compactuo com os ideais fascistas, não compactuo com os ideais nazistas. Eu não sou nazista. Eu sou um estudioso do tema nazismo, seja no Brasil ou na Europa. E o meu interesse é puramente acadêmico.'

Ele também negou fazer parte de qualquer grupo de extrema-direita ou de comunidades online extremistas, como grupos no Telegram ou no Discord. 'Não possuo qualquer histórico de participar de grupo Redpill, de Telegram, de Discord, de grupos extremistas. Não faço parte de nada disso. Nunca tive contato com esses grupos dessa forma, apenas como um observador para entender os seus pensamentos', afirmou.

A camiseta e o broche que geraram a briga

Durante a entrevista, Pedro Doria explicou o que era a peça: a camiseta pertence a uma banda punk chamada Death in June e traz a imagem de uma caveira associada à Schutzstaffel (SS), a organização paramilitar do regime nazista. O jornalista questionou: 'O que essa banda representa para você O que está sendo dito ali'

Diego respondeu que o movimento punk, enquanto subcultura política, costuma usar símbolos para ridicularizá-los. Afirmou ainda que a caveira usada por ele é diferente da da SS: 'Não é a caveira da SS, é a caveira modificada. É uma caveira de um crânio neandertal. Existe esse detalhe. Você pode pegar a foto da caveira da SS e a caveira da camisa que eu estava usando. Elas são diferentes.'

Quanto ao broche, o estudante explicou que a suástica tinha o sinal de proibido sobre ela. 'Eu estava com um pin grande, um broche de uma suástica dizendo não. Uma suástica com um proibido, dizendo que eu não sou só antinazista, eu sou duplamente antinazista. Eu estava negando este símbolo.'

Os impactos do espancamento

A agressão ocorreu nas dependências do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e do Instituto de História (IH), no Centro do Rio de Janeiro. Três dias após o episódio, Diego relatava ainda dores pelo corpo e um forte estado de apatia e trauma.

'Foi um trauma tão forte que eu sinto que meu corpo e a minha mente estão desconectados. Eu não consigo comer, eu não consigo dormir, eu não sinto apetite, eu me sinto completamente apático', desabafou o estudante.

De acordo com o relato, a confusão começou quando outros alunos tentaram abordá-lo e chamar a segurança do campus para que ele fosse retirado e levado à delegacia. A discussão evoluiu para uma briga com xingamentos e agressões físicas, incluindo socos, tapas e chutes, tanto nas escadas quanto nas áreas internas e externas do prédio. Diego classificou o episódio como tentativa de homicídio e negou ter usado qualquer xingamento racista contra os agressores.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro analisa imagens gravadas por celulares de testemunhas e realiza diligências para ouvir todos os envolvidos, esclarecendo tanto a acusação de apologia ao nazismo quanto os atos de agressão.

A resposta da universidade

A UFRJ e a direção do IFCS abriram uma comissão de sindicância para investigar o ocorrido. Em nota oficial, a reitoria repudiou veementemente qualquer tipo de apologia ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao antissemitismo e a qualquer forma de intolerância ou discriminação.

A universidade reforçou que não admite agressões físicas nem violência como resposta a provocações ou divergências de opinião, e defendeu que o ambiente universitário deve ser de convivência democrática. Reuniões e ações de conscientização com os alunos foram intensificadas nas semanas seguintes para tentar evitar que novos conflitos ocorram no campus.