Rússia ataca pontes de Kiev pela primeira vez, matando pelo menos uma pessoa e paralisando o trânsito. Prefeito afirma que a cidade está sendo destruída e cresce o medo de um grande ataque ao sistema elétrico ucraniano durante o inverno.
A Rússia mudou sua estratégia na guerra contra a Ucrânia e, pela primeira vez desde o início do conflito em 2022, atacou diretamente pontes vitais da capital, Kiev. Três estruturas foram atingidas nesta sexta-feira (2), resultando em ao menos uma morte e causando um forte colapso no trânsito da cidade.
O prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko, descreveu a situação como "muito dramática". Ele declarou: "Não dá mais para fingir que nós podemos viver agora como em tempos de paz. O inimigo está despedaçando Kiev". O ataque evidenciou a fragilidade da infraestrutura local e a intensificação da ofensiva russa.
- Três pontes sobre o rio Dnieper foram atacadas, causando o fechamento das vias durante a manhã.
- Ao menos uma pessoa morreu no ataque às estruturas de transporte.
- O Ministério da Defesa russo alega que as pontes transportam tropas e equipamentos militares.
- A Ucrânia testou seu primeiro míssil balístico nacional, o FP-7, em combate.
- Kiev busca ajuda de aliados europeus para obter munição contra novos drones russos.
Colapso no trânsito e economia local
Duas das pontes atingidas ficaram fechadas para o tráfego por toda a manhã, gerando caos nas ruas. A capital conta com oito pontes principais sobre o rio Dnieper, que divide a cidade. As vias só foram reabertas no começo da tarde, aliviando parcialmente a mobilidade.
O lado leste da cidade, que concentra o tráfego de quem vai ao trabalho, abrigava 30% da população de 3 milhões de habitantes antes da guerra. No entanto, a maioria dos empregos está no lado oeste. Isso torna as pontes peças fundamentais para a economia e o cotidiano dos moradores.
Justificativa militar e retaliação
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a nova ordem de ataque, justificando que as pontes são usadas para o transporte de forças e equipamentos militares rumo ao Donbass, no leste, onde está a principal frente de batalha.
Na quinta-feira (1), o presidente russo, Vladimir Putin, havia afirmado que os ataques à infraestrutura civil ucraniana são uma resposta às ações de Kiev contra a Rússia. Essa troca de ataques tem provocado uma crise no abastecimento de combustível no país invasor.
Novas tecnologias de guerra
A Ucrânia tem aumentado o uso de drones de longa distância. Na quinta-feira, o país anunciou que realizou o primeiro disparo em combate de um míssil balístico produzido internamente, o FP-7. Na sexta-feira, aviões-robôs ucranianos atingiram duas refinarias no sul da Rússia.
Em resposta à crise de combustível, Putin aposta nesta fase do outono europeu em uma nova geração de drones a jato. Esses novos aparelhos são mais rápidos e capazes do que os modelos anteriores, que usam hélices, tornando-se mais difíceis de interceptar pelas defesas aéreas comuns.
Alianças para defesa aérea
Para enfrentar essa nova ameaça, Kiev firmou acordos com os governos da Polônia, Bélgica e Espanha. O objetivo é obter mais munição de 20mm para as metralhadoras dos seus caças F-16, que são mais eficazes na interceptação dos drones a jato russos.
Segundo as autoridades ucranianas, o país ainda precisa de ao menos 300 mísseis de interceptação do sistema Patriot para garantir um nível mínimo de proteção à capital durante a temida campanha de inverno, que começa no fim de dezembro no Hemisfério Norte.
Medo de apagão total no inverno
Há um temor público de que Putin esteja preparando um golpe fatal contra o sistema energético ucraniano quando as temperaturas baixarem, visando derrubar o moral da população. A ação pode ser ainda pior do que no ano passado, quando o governo teve de distribuir tendas com aquecimento portátil para evitar mortes por frio.
Segundo o jornal americano New York Times, citando planos russos supostamente interceptados pelos ucranianos, existe a possibilidade de um ataque massivo com mais de mil mísseis e drones. O objetivo seria destruir toda a capacidade de geração e distribuição de eletricidade do país.
O plano, relatado pelo NYT, prevê uma onda de ataques para destruir subestações e linhas de energia em torno de grandes cidades, como Kiev, Lviv, Kharkiv e Odessa. Em seguida, o foco seria nas usinas hidrelétricas e, por fim, na rede abastecida pela eletricidade das três usinas nucleares ainda sob controle ucraniano. O jornal ressalva que não pode validar a autenticidade dos planos, mas eles condizem com os preparativos russos observados até agora, incluindo imagens de redes de transmissão alvejadas por drones a jato.


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