15 de setembro de 2026

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Alemanha apaga luz e entra em alerta máximo após ataques à rede elétrica

Mundo Guerra Hibrida 02/09/2026 09:31 Ludwig Burger e Christoph Steitz, CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Polícia alemã investiga sabotagens premeditadas em subestações de energia, com temores de que seja uma guerra híbrida contra a infraestrutura do país.

A polícia da Alemanha investiga uma segunda tentativa de sabotagem à rede elétrica em apenas 24 horas nesta quarta-feira (2). O incidente ocorreu um dia depois de Berlim acusar formalmente a Rússia de estar por trás de uma tentativa de ataque com drones em um aeroporto, o que aumentou significativamente os temores de uma possível guerra híbrida contra a infraestrutur do país.

Os eventos acontecem em um momento político e geopolítico delicado para o país. O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que defende relações diplomáticas mais próximas com Moscou, lidera as pesquisas eleitorais de um estado antes de uma votação neste fim de semana. Ao mesmo tempo, o governo alemão enfrenta uma pressão crescente para proteger seus sistemas de energia, considerados alvos vulneráveis.

  • A polícia investiga vandalismo premeditado em uma subestação perto de Bergheim.
  • Berlim concluiu que a Rússia está por trás do ataque com drones em Leipzig/Halle.
  • A chefe da diplomacia da UE chamou o incidente aéreo de terrorismo estatal.
  • O fornecimento de energia não foi afetado, mas 5 usinas foram desligadas.
  • Ministros alertam que a proteção total da rede é uma ilusão.

A investigação e o vandalismo

A polícia local anunciou que está investigando um ato de vandalismo premeditado contra a infraestrutura técnica de uma subestação de energia localizada perto da cidade de Bergheim, no oeste do país. O incidente foi registrado na tarde de terça-feira (1º). Segundo um porta-voz da corporação, embora a sabotagem tenha ocorrido, o fornecimento de energia para a região não foi interrompido, mantendo a estabilidade para os moradores.

O impacto nas usinas elétricas

A operadora da rede elétrica Amprion, que é controlada pela RWE, a maior produtora de energia da Alemanha, confirmou que houve uma interferência externa no incidente. A empresa garantiu que o fornecimento de energia e a estabilidade da rede foram mantidos durante todo o período. No entanto, a RWE informou que o incidente provocou o desligamento preventivo de cinco unidades de usinas termelétricas a lignito. Juntas, essas unidades têm capacidade combinada de 4.200 megawatts. Até o momento, uma das unidades afetadas, com capacidade de 600 megawatts, já foi reconectada à rede.

Alertas em Berlim e no leste

Também na terça-feira (1º), dispositivos contendo material condutor danificaram linhas de transmissão no estado de Brandemburgo, no leste do país. Este é um dos pontos de alta tensão mais importantes da região. O ministro do Interior de Brandemburgo, Jan Redmann, comentou que parecem existir paralelos entre os ataques, mas ressaltou que as investigações ainda estão em fase inicial e que não é possível descartar nenhum suspeito.

Além disso, o governo alemão afirmou na terça-feira ter concluído que a Rússia estava por trás da tentativa de ataque com drones contra um avião cargueiro ucraniano no aeroporto de Leipzig/Halle no mês anterior. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, declarou nesta quarta-feira que o incidente apresentava todas as características de terrorismo patrocinado por um Estado.

Ameaça política e eleitoral

O número de incidentes de interrupção de energia registrados antes da eleição deste fim de semana no estado da Saxônia-Anhalt é considerado extremamente suspeito por autoridades parlamentares. Pesquisas de opinião indicam que a AfD, partido anti-imigração com forte apoio no leste do país, pode chegar ao poder pela primeira vez em nível estadual. A legenda defende o fim do apoio alemão à Ucrânia e a retomada de acordos de energia com Moscou, que garantiam à Alemanha petróleo e gás baratos até serem interrompidos em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia.

Leonhard Birnbaum, executivo-chefe da E.ON, a maior operadora de redes de energia da Europa, alertou no mês passado que a proteção completa da infraestrutura da rede é uma ilusão. Segundo ele, as empresas podem dificultar ao máximo a ação dos responsáveis, mas não conseguem evitar totalmente os ataques. O ministro Redmann reforçou a necessidade de proteção melhorada, afirmando que o foco da segurança mudou dos aeroportos para as instalações de fornecimento de energia.