A Petrobras bateu um novo recorde de valor de mercado, chegando a R$ 700 bilhões, impulsionada pela segunda descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Foz do Amazonas. A empresa superou grandes petroleiras globais em rentabilidade, mas enfrenta contestação do Ministério Público Federal por questões ambientais e indígenas.
A Petrobras atingiu a marca de R$ 700,08 bilhões no fechamento da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) nesta sexta-feira (2), quebrando o recorde histórico de valor de mercado da empresa, conforme confirmado pela própria companhia.
O salto nos números aconteceu logo após a revelação de uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira. Apenas no dia da descoberta, a estatal adicionou R$ 20,9 bilhões ao seu patrimônio. As ações preferenciais subiram 2,81%, enquanto as ordinárias tiveram alta de 3,25%.
- O valor de mercado total da Petrobras agora é de R$ 700,08 bilhões.
- A nova descoberta ocorreu no poço Morpho, na Foz do Amazonas.
- Estudo da EPE estima potencial de 10 bilhões de barris de óleo na região.
- De janeiro a setembro, a Petrobras gerou 185% em valor, superando rivais globais.
- O MPF pede na Justiça a suspensão da licença ambiental da exploração no Amapá.
Descoberta e expectativa de nova fronteira
Em coletiva de imprensa realizada na mesma sexta-feira, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, explicou que a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho eleva as expectativas para a abertura de uma nova fronteira exploratória no país. Trata-se de uma área estratégica para o futuro da produção nacional.
Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, indica que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode alcançar 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Essa medida agrada aos investidores e reforça a posição da estatal no setor energético global.
Recordes anteriores e desempenho contra rivais globais
Este não é o primeiro recorde do ano. Em 2026, a Petrobras já havia batido sua própria marca em três outras ocasiões: em 15 de setembro (R$ 692,35 bilhões), em 14 de abril (R$ 680,10 bilhões) e em 30 de março (R$ 677,24 bilhões). A estabilidade e o crescimento constante marcam este período de gestão.
De janeiro a setembro, o aumento do valor de mercado somado aos dividendos e juros sobre capital próprio gerou um retorno de aproximadamente 185% em dólar. De acordo com a empresa, esse resultado é superior ao registrado por outras grandes petroleiras internacionais, como Chevron (138%), ExxonMobil (138%), TotalEnergies (135%), Shell (133%) e BP (131%).
Questões ambientais e contestação judicial
Embora os números financeiros sejam positivos, a operação enfrenta desafios legais. Na segunda-feira (28), o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma nova ação judicial pedindo a suspensão da licença ambiental concedida à Petrobras para explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas. A ação foi protocolada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).
O pedido do MPF busca a paralisação imediata de qualquer atividade de perfuração ou teste no bloco marítimo FZA-M-59. Os procuradores argumentam que a insegurança da atividade foi comprovada por um vazamento de mais de 18 mil litros de fluido químico no mar em janeiro deste ano, durante a operação de uma sonda.
Outro ponto central da contestação é a ausência de consulta prévia, livre e informada aos povos indígenas e às comunidades quilombolas e de pescadores artesanais do Amapá e do Pará. Para o MPF, isso fere a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um direito fundamental garantido internacionalmente.


Petrobras (IA)


