29 de setembro de 2026

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Desemprego no Brasil atinge patamar histórico e mercado de trabalho cresce

Economia Desemprego 29/09/2026 15:31 Bruno de Freitas Moura - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Rio de Janeiro RJ

A taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre até agosto, o menor nível já registrado para esse período. O Brasil bateu recordes em número de ocupados, carteira assinada e massa salarial, com destaque para os setores de indústria e construção civil.

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre que terminou em agosto. Esse é o menor valor já registrado para esse período desde 2012, início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Além da queda no desemprego, o instituto registrou números recorde no total de trabalhadores empregados, no número de carteiras assinadas, na massa salarial (soma de todos os salários) e nas contribuições para a previdência social.

  • Desemprego: 5,3% (queda em relação a 5,6% no trimestre anterior).
  • Ocupados: 103,5 milhões de pessoas (novo recorde).
  • Carteira assinada: 39,5 milhões de vagas (novo recorde).
  • Massa salarial: R$ 385,6 bilhões (maior valor da série).
  • Contribuintes à previdência: 68,5 milhões de pessoas (novo recorde).

Desempenho positivo em comparação com períodos anteriores

O resultado de desemprego de 5,3% representa uma queda em relação ao trimestre móvel terminado em maio (que era 5,6%) e também em comparação com o mesmo período de 2025 (também 5,6%).

Para a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, esse resultado veio dentro das expectativas dos analistas do mercado financeiro. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Setores que puxaram o crescimento de empregos

O levantamento mostra que a população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, o maior número já visto. Isso significa um aumento de 0,8% em relação ao trimestre terminado em maio, ou seja, 774 mil trabalhadores a mais.

Os setores que mais contribuíram para esse crescimento foram a indústria geral, com alta de 2% (265 mil novos postos), e a construção civil, com crescimento de 4,1% (306 mil novos postos).

Recorde de empregos formais e carteira assinada

O número de trabalhadores no setor privado com carteira assinada atingiu 39,5 milhões, outro recorde histórico para a pesquisa.

A população desocupada (quem procura trabalho mas não encontra) terminou o período com 5,8 milhões de pessoas. Houve uma queda de 4,6%, ou 281 mil pessoas a menos, em comparação com o trimestre de março a maio.

Informalidade e desânimo no trabalho

A população desalentada, formada por pessoas que deixaram de procurar trabalho por acreditarem que não acharão, somou 2,4 milhões até agosto. Esse número se manteve estável em relação ao trimestre anterior, mas caiu 11,9% (317 mil pessoas) na comparação com 2025.

A taxa de informalidade, que mede a proporção de trabalhadores sem carteira e autônomos sem CNPJ na força de trabalho, foi de 37,5%, totalizando 38,8 milhões de pessoas. No trimestre anterior, essa taxa era de 37,3%. Essas pessoas não têm garantias como seguro-desemprego, férias e 13º salário.

Aumento da massa salarial e rendimentos médios

O rendimento mensal médio do trabalhador ficou em R$ 3.777. No trimestre terminado em maio, era R$ 3.752. O maior valor já registrado na série foi R$ 3.804, no primeiro trimestre de 2026.

A massa salarial, que é a soma de todos os salários pagos e usada para consumo e investimentos, alcançou R$ 385,6 bilhões. Este é o maior valor da série histórica, com crescimento de 1,4% no trimestre (R$ 5,2 bilhões a mais) e de 4,8% em um ano (R$ 17,5 bilhões a mais).

Mais brasileiros contribuindo para a Previdência

De acordo com a Pnad, o Brasil atingiu o maior número já verificado de trabalhadores que contribuem para a previdência: 68,5 milhões de pessoas. Isso significa que, de cada 100 trabalhadores, 66,2 contribuem.

Contribuir para a previdência garante direitos como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte. O IBGE considera contribuintes os empregados, empregadores, domésticos e autônomos que pagaram para o INSS ou planos oficiais estaduais/municipais.

Como o IBGE calcula esses dados

A pesquisa do IBGE analisa o mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais, considerando todas as formas de ocupação, com ou sem carteira, temporário e por conta própria.

Só é considerada desocupada a pessoa que procurou trabalho ativamente nos 30 dias anteriores à entrevista. A pesquisa visita 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Para contexto, o menor desemprego já registrado pela Pnad foi de 5,1%, no último trimestre de 2025. O maior pico foi de 14,9%, nos trimestres de setembro de 2020 e março de 2021, durante a pandemia de covid-19.