A 61ª edição do SPFW terminou com mais de 20 desfiles em São Paulo, destacando homenagens à Turma da Mônica, à Mangueira, e a nova parceria com a Mantecorp.
A 61ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW) terminou no último domingo (18), encerrando as comemorações de 30 anos da maior semana de moda da América Latina. Durante seis dias, foram mais de 20 desfiles no Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), no Parque Ibirapuera, e em outros locais espalhados pela capital paulista.
Além de mostrar um momento de amadurecimento e transição, o evento também deu atenção à autoridade regional e à sustentabilidade, assim como às linguagens urbanas e à cultura pop, que estão em alta principalmente entre a geração Z.
- 30 anos de SPFW: a edição comemorou três décadas da semana de moda.
- Novo nome: o evento passará a se chamar Mantecorp SPFW a partir de 2026.
- Homenagens: desfiles reverenciaram a Turma da Mônica, a Mangueira e outros ícones.
- Sustentabilidade: várias marcas usaram materiais reciclados e técnicas artesanais.
- Cultura pop: estética punk, streetwear e referências ao universo digital marcaram as passarelas.
Para os próximos anos, uma das principais novidades é a mudança de nome. A semana passará a se chamar Mantecorp SPFW. O acordo de naming rights vale até 2034 e estabelece uma parceria de longo prazo entre a marca de dermocosméticos e a principal semana de moda do país.
Destaques dos desfiles
Abrindo a temporada em uma apresentação externa, Alexandre Herchcovitch antecipou o clima boho que deu o tom do desfile. Conhecido pelo estilo ousado, o estilista combinou essa identidade com elementos românticos e delicados, usando rendas e estampas em uma moda refinada para todas as estações.
Enquanto isso, a marca Forca, de Vivian Rivaben e Silvio De Marchi, transformou a Praça Charles Miller, na Arena Pacaembu, em uma pista de drift com quatro carros, que levaram o público ao delírio.
Na passarela, a estética punk apareceu com corpos expostos. Preto, marrom, cinza, vermelho e azul dominaram os looks, com silhuetas ousadas e muito couro.
Sem seguir a divisão tradicional de verão e inverno, a grife criou peças que podem ser usadas em diferentes climas, regiões e momentos.
Segundo dia
A abertura do segundo dia foi de Marina Bitu, que explorou o fundo do mar na coleção Abissa. O desfile convidou o público a conhecer histórias e memórias do oceano, onde a força feminina encontra seu próprio território.
Na passarela, Marina e sua equipe usaram tecidos em azul, preto e bege, com texturas e peças longas. A fluidez das ondas apareceu em saias e calças amplas.
Fábio Souza, da marca À La Garçone, criou um cenário pós-apocalíptico para apresentar coleções com estampas trompe l'oeil que imitam camisas sobre vestidos e moletons, combinando organza, couro e pinturas feitas à mão.
O projeto especial do Mercado Livre apresentou um desfile-conceito com curadoria do stylist Daniel Ueda.
Sob a ideia de celebrar a pluralidade e democratizar a moda, a apresentação usou peças vendidas no marketplace, mostrando a força das plataformas digitais no consumo e no estilo dos brasileiros.
Com o título Fashion Tribute, o estilista Tom Martins homenageou cinco grandes nomes da moda: Marc Jacobs, Martin Margiela, Vivienne Westwood, Alexander McQueen e John Galliano.
A coleção foi maximalista, com patchwork complexo feito de sobras de lavanderia, desconstrução de peças e até máscaras.
Para encerrar o segundo dia, a Artemisi, de Mayari Jubini, uniu alquimia, misticismo, impressão 3D e artesanato na coleção The Holy Matter. As peças viraram esculturas vestíveis, reafirmando o futuro da marca.
Quarta-feira
Na quarta-feira (15), a marca cearense Catarina Mina apresentou uma reflexão poética sobre o sertão e a chegada da chuva na caatinga. Com bordados de canutilhos, rendas e técnicas artesanais, as peças transformaram o gotejar da água em transparências e texturas únicas.
A grife se uniu à Avatim para criar um vestido exclusivo da coleção Bonito Pra Chover. A parceria também trouxe uma ambientação olfativa com a linha Laguna.
Em parceria com o estilista Ronaldo Fraga, o projeto Sou de Algodão apresentou o desfile Cartas de Algodão: Poesias para o Futuro, unindo moda consciente e literatura. A coleção trouxe versos e ilustrações bordados à mão em tecidos 100% algodão.
O desfile de Dario Mittmann surpreendeu ao homenagear os 90 anos de Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica. Os personagens clássicos ganharam versões punk, clubber e ultrapop, unindo nostalgia e streetwear conceitual.
Eu tenho uma memória afetiva muito grande com eles, assim como muitos brasileiros. Trouxe a Turma da Mônica de um jeito que o público nunca viu. Mesmo sendo um clássico da cultura brasileira, apresentei uma versão minha, para a geração atual, com a internet, disse Dario à CNN Brasil.
Para fechar o dia, João Pimenta refletiu sobre a fluidez de gênero na alfaiataria, com tecidos xadrez, transparências, recortes ousados e piano ao vivo.
Sexta-feira
Na sexta-feira (17), Lilly Sarti abriu os desfiles. A grife uniu dinamismo e romantismo, equilibrando forças opostas inspiradas no horóscopo chinês e no yin e yang.
A coleção usou alfaiataria em couro de ovelha macio, georgette, cetim e estampas xadrez/listradas, ao som do pianista Pablo Rossi ao vivo.
Já a Santa Resistência, de Mônica Sampaio, apresentou Otelo Brasileiro: Uma Paixão em Verde e Rosa, com tons de verde e rosa, cores da escola de samba Mangueira, homenageada no desfile.
Com cortes retos, a designer usou penas, sedas e estampas florais em vestidos, conjuntos de alfaiataria e saias volumosas.
No beachwear, Amir Slama revisitou seu acervo, reinterpretando uma coleção histórica da época da Rosa Chá.
O desfile uniu Carmen Miranda e Iemanjá em biquínis e maiôs nostálgicos dos anos 2000, com drapeados, estampas tropicais e parceria com a Kirimurê Brasil.
Sábado (parte 1)
Depois de estrear no Rio Fashion Week, a mineira Hisha, de Giovanna Resende, chegou a São Paulo com a coleção Alforje, inspirada na geologia e na Estrada Real, com estética boho, bordados artesanais e pedrarias.
Nos 53 looks, havia tecidos leves com modelagens que iam de volumes arredondados, como o balonê, até formas mais fluidas.
A Handred apresentou uma coleção inspirada no Japão, onde o estilista André Namitala passou uma temporada. O desfile teve referências orientais e música ao vivo de tambores Taiko.
A marca combinou a sofisticação de balneário com seda, organza, linho e algodão, em silhuetas amplas, cinturas marcadas e bordados que criam volumes arquitetônicos.
Sábado (parte 2)
No sábado (17), a Uó Upcycling abriu os desfiles na Galeria Verniz. A marca, que usa upcycling, misturou lingerie, alfaiataria e roupas de corrida, mostrando que esses universos podem se encontrar.
Cintas-ligas e camisolas apareceram ao lado de carros e referências à NASCAR. Rendas, tecidos fluidos, fitas no pescoço e tênis tratorados chamaram atenção.
Em seguida, a Aluf, de Ana Luisa Fernandes, apresentou Sonho de Pescador, com babados, volumes esculturais e bordados 3D que lembram água, barcos e peixes. A marca mantém seu compromisso socioambiental.
A Normando voltou às origens com referências ao pintor modernista paraense Ismael Nery, um dos principais nomes do modernismo no Brasil.
Camisaria e alfaiataria foram destaque, com algodão, lã e tecidos acetinados. Mesmo cobrindo o corpo, o desfile trouxe uma estética sexy, sem usar roupas justas ou transparentes.
O projeto Cria Costura, em sua oitava edição, apresentou um desfile inspirado no paisagista Roberto Burle Marx. As peças foram feitas por participantes do treinamento do In-Mod, que ensina técnicas de criação e modelagem.
Para fechar o sábado, a Dendezeiro apresentou Oração de Barbearia, inspirada nas mulheres do hip-hop brasileiro, e o público aplaudiu de pé.
Essa não é a primeira vez que a dupla Hisan e Pedro leva música para a passarela. Em outras temporadas, eles usaram bailes black, funk e cultura ballroom como tema.
Domingo
No domingo (18), a Foz, de Antônio Castro, apresentou Expresso Maravilha, com peças feitas a partir de memórias da casa do designer, como cortinas, almofadas e colchas.
A Ammi, que estreou nesta temporada, elevou o crochê artesanal ao nível de alta costura na coleção Forma Viva, inspirada em elementos orgânicos da natureza.
Para encerrar, o Apartamento 03, de Luiz Claudio, apresentou Atempo, com modelos trans, negras e maduras, que foram destaque na passarela.
Com acabamento impecável, calças amplas, vestidos transparentes e mantôs bordados apareceram em cores como branco, preto, azul-ciano, vermelho e verde.


Herchcovitch; Alexandre Marcelo Soubhia/ @agfotosite

























