15 de setembro de 2026

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Arquidiocese do Rio tem 17 padres exorcistas que unem fé e rigor médico em rituais

Cidades Exorcismo 23/08/2026 07:16 Jessica Marques, Extra extra.globo.com

A Arquidiocese do Rio de Janeiro conta com 17 padres exorcistas, que realizam rituais de exorcismo seguindo critérios rigorosos da Igreja, unindo fé e avaliação médica e psicológica antes de qualquer procedimento.

No dia a dia, antes de começar os atendimentos, o cônego Luiz Carlos Pereira, de 60 anos, abre a maleta preta que o acompanha há três décadas e confere itens essenciais para sua missão: um pote de sal grosso, um terço, um rosário, um aspersório com água benta e o cordão de São Francisco, usado, segundo a tradição católica, para 'amarrar o mal'. O objeto mais valioso é um livro, gasto pelo uso, de capa dura vermelha, com anotações e trechos em latim, chamado 'Ritual de exorcismos e outras súplicas'. Pereira é um dos 17 padres exorcistas da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

  • O Rio de Janeiro é a capital brasileira com mais padres exorcistas, com 17 especialistas na função.
  • Eles estão distribuídos por 13 vicariatos episcopais, que atendem às 299 paróquias da cidade.
  • Antes de fazer um exorcismo, a Igreja pede que a pessoa passe por avaliações médicas e psicológicas.
  • Na maioria dos casos, o que parece ser possessão é diagnosticado como transtorno que não é demoníaco.
  • O ritual de exorcismo maior só pode ser feito por um sacerdote autorizado pela Igreja.

Com a maleta, ele percorre casas e igrejas, e atende de 30 a 40 pessoas por mês. Muitas pessoas têm problemas como depressão, vícios e brigas em família e acham que isso é algo sobrenatural.

O padre explica: 'A possessão é a manifestação visível do mal. Mas não é só a pessoa chegar dizendo que precisa de um exorcismo. Primeiro, conversamos, procuramos o motivo do sofrimento, orientamos na reza e fazemos uma avaliação para saber até onde o ritual é necessário.'

A igreja e os cuidados de saúde

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio é a que tem mais sacerdotes exorcistas entre as capitais do Brasil. Todos seguem as regras da Igreja, com critérios rígidos. O chamado 'exorcismo maior' só pode ser realizado por um padre autorizado.

Luiz Carlos Pereira é o responsável pela Igreja Nossa Senhora das Graças, em Campo Grande. Ele conta que muitas pessoas passam mal, falam em línguas desconhecidas, mostram força maior ou ficam com a voz mais grossa. Mas, para o padre, 'levitar, subir pelas paredes, quebrar o corpo são coisas de filme de terror'.

Por causa do filme 'O Exorcista', de 1973, o ritual ficou famoso. Mas, longe das telas, a Igreja pede que a pessoa passe por médicos, psicólogos e psiquiatas antes de qualquer coisa. Na maior parte dos casos, o problema não vem do mal, mas é uma explicação real e comum.

Força incomum

Dona Antônia Martins Melo, de 84 anos, aposentada, mora no Catete. Ela e o marido deram aos filhos nomes de santo. Um deles, Domingos, hoje com 62 anos, empresário em Nova York, dava muitos problemas desde criança: era agressivo, falava coisas soltas e tinha uma força estranha.

'Ele sempre era difícil. Eu rezava a oração de São Miguel e fazia o sinal da cruz nas costas para ele dormir', lembra ela, que depois de ouvir muitos médicos, achou que o filho poderia ter uma força que não era normal.

Depois de muitos padres, a família foi orientada a procurar um exorcista, que já estava a par do caso, e marcou um ritual simples, em um salão. Domingos se agitava, gritava, queria bater no padre e cuspius. O sacerdote colocou ele na mão, rezou, e com o tempo ele ficou calmo, até cair no sono.

Fumaça saindo do chão

Outra história é a de uma casa no Recreio dos Bandeirantes, em 2024. Na família, ninguém aguentava mais, pois os móveis mudavam de lugar, as luzes acendiam e apagavam sozinhas, e todo mundo brigava o tempo todo. Eles chegaram a morar em um hotel.

No dia da visita, o padre Luiz Carlos conta que, assim que entrou, sentiu um clima forte. Ele passou duas horas por toda a casa, rezando e jogando sal e água em cada cômomo, como uma benção.

Ele volta e diz: 'Em um momento, quando joguei o sal de sal, vimos sair uma fumaça do chão'. Naquela mesma noite, a família voltou para casa e, meses depois, a casa foi vendida.

Geovane Ferreira Silva, pároco da Igreja Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, explica que há cursos para padres que querem se especializar, feitos em Roma. No Rio, foram feitos três cursos com cerca de 260 padres, mas nem todos viram exorcistas.

Ele afirma: 'O objetivo não é a caçar o mal, é fazer um trabalho de ajuda de verdade, com cuidado de cada situação.'

Em nota, a Arquidiocese do Rio diz que os sacerdotes exercem função conforme as regras da Igreja, com respeito e amor às pessoas, no atendimento de quem procura orientação.